VEM PRA BORGONHA

por Juliana Lins Cruz

VEM PRA BORGONHA
Por Juliana Lins Cruz

☕🍷 13.26 Vinho Ultra Processado

Mil desculpas pela ausência, mas às vezes a vida acontece de forma mais intensa e temos que reduzir o passo. Mas estou aqui e com um super assunto: vinhos ultra processados!
Por essa nem a Rita Lobo esperava!
Então já sabe, pegue a sua taça de café e boa leitura!


Revista Decanter deste mês de maio 2026

A revista Decanter deste mês chegou e achei uma matéria super interessante: Ultra-Processed Wines (UPW), Vinhos Ultra Processados. Este termo não é oficial no mundo do vinho, mas a própria reportagem diz que o termo “ultra-processado” é uma nova denominação instituída pela unidade de saúde pública na Universidade de São Paulo – USP – para designar alimentos com uso acumulativo de técnicas industriais para manter textura, sabor e preservação por longo tempo em prateleira. E o termo está começando a ser empregado na indústria do vinho, sem qualquer nota oficial, e ele traça uma linha que ajuda o consumidor.

Capa da edição maio 2026

Que tipo de vinho seria esse?

Hoje não temos um modo de distinguir um vinho “ultra processado” super definido. Mas seria aquele vinho produzido em larga escala mundial, com preço de venda bem baixo, para ser vendido em grandes redes de supermercados ou mercadinhos locais, podendo ser em garrafão, caixas ou garrafas PET.


Vinho Orgânico no mundo

Na reportagem eles citam que apenas 6% dos vinhos mundiais são certificados orgânicos e que 96% dos vinhos vendidos no Reino Unido são inferiores a 9 libras. Tudo bem que sabemos que produtores podem não ser orgânicos e ainda assim utilizarem muitas práticas mais limpas e orgânicas, mas isso é mais caso a caso.


Mas por que o vinho virou um ultra processado?

Consumo, simples assim. O consumo de vinho mudou depois da crise da praga da filoxera no século 19 e 20. Com a base americana resistente à praga, a videira produzia mais frutos e foi instaurada irrigação em larga escala e uso de fertilizantes. Com isso a qualidade do vinho caiu e foram instalados sistemas de denominações com regras de rendimento de volume de produção e proibição de irrigação em muitos lugares da França e Europa. Mas o grande avanço veio com o fim da Segunda Guerra Mundial, com o desmantelamento de fábricas de pesticidas e outros químicos. Com este novo produto, a produção agrícola estava protegida de pragas e o volume aumentou muito. O império de supermercados nos Estados Unidos, incitando o super consumo de produtos não perecíveis ou de longo prazo, impulsionou ainda mais a agricultura e a produção de vinhos ultra processados de baixo custo. É o que conhecemos hoje.


E qual é o problema de ser um vinho ultra processado?

O problema está no acúmulo de resíduos de inúmeros produtos sintéticos que, nas vinhas, são os inseticidas, herbicidas e pesticidas pesados para conter fungos e outras pragas. Também produtos durante a vinificação, como estabilizantes de cor e realçadores de sabor e altas doses de sulfito. Além disso, já foi comprovado que em alguns vinhos europeus há a presença de um ácido tóxico que faz parte da lista de “Forever Chemicals”, químicos eternos, aquele mesmo do plástico de muitas embalagens.

Então o problema vira um único: saúde. Alergias, cânceres e infertilidades são alguns dos problemas atuais da vida moderna e do super consumo.


Como saber qual vinho não é ultra processado?

Normalmente são vinhos de baixa intervenção humana e selos como “vinho orgânico”, “vinho biodinâmico” ou vinho de “alto valor ambiental – HVE” colados na garrafa ajudam.
Agora quando não há isso, podemos ter alguns indícios:

• Vinhos de uvas nativas do local;
• Vinhos de lugares onde a irrigação não é permitida – sem irrigação, menor produção, uvas menores e mais concentradas;
• Pequenos produtores – como esses que eu sempre indico e consumo;
• Colheita manual, leveduras nativas e baixo rendimento;
• E me acompanhar 😊


Leia a revista deste mês

A reportagem está super bem escrita, com precisão e consegue explicar conceitos ou fatos históricos em três linhas ou menos. É realmente uma excelente leitura. Detalhe: está em inglês.


Até semana que vem!!

Obrigada por lerem e me acompanharem! E um conselho: comprem menos vinho, e de qualidade.

Ju!

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Olá, meus queridos leitores!
Meu nome é Juliana Lins Cruz e sou a fundadora da Vem Pra Borgonha, uma empresa de consultoria, marketing e enoturismo na região da Borgonha.

Como uma apaixonada por vinhos e com uma formação sólida em turismo, tenho a honra de participar ativamente da produção de vinhos na Borgonha e compartilhar minha paixão por esta região incrível com vocês.

Além disso, como parte do departamento de marketing da Anima Vinum, tenho ainda mais conhecimento e experiência para oferecer aos meus clientes.

Meu objetivo é apresentar a magia dos vinhos da Borgonha de maneira clara e acessível, para que vocês possam experimentar essa paixão conosco.

Eu espero ter a oportunidade de recebê-los na Borgonha e compartilhar essa experiência única com vocês.

Agradeço por estarem aqui comigo e espero ver vocês em breve!

Com carinho, Juliana Lins Cruz.

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