VEM PRA BORGONHA

por Juliana Lins Cruz

VEM PRA BORGONHA
Por Juliana Lins Cruz

☕🍷 16.26 Um verão ultra quente!

Estou viva, apesar do calor alucinante dos meses de junho e julho!

E é disso que eu vou falar hoje, pois esta safra será bem marcante. Quanto à qualidade, eu ainda não posso dizer nada, porque a colheita ainda não foi feita, mas vou comentar o que posso até o momento.

Mesmo com esse calor, eu estou com a minha xícara de café escrevendo sob o calor de 35 ºC para vocês 😊

Bom, peguem o cafezinho de vocês e boa leitura!!

32ºC nas vinhas de Auxey-Duresses – arquivo pessoal

☕🍷 Inverno de 2026

O ano de 2026 começou com um inverno extremamente frio, o mais frio dos últimos 12 anos, porém curto.

A temperatura subiu bem no começo da primavera, despertando a videira mais cedo e criando um grande risco de geada.

Em março, tivemos dois episódios de geada precoce, porque o normal é ter geada em abril. Isso preocupou todos os produtores, mas não tivemos grandes perdas. Ufa!


☕🍷 Primavera de 2026

A primavera foi bem heterogênea. Ela começou fria e ficou fria por muito tempo, por mais tempo do que o esperado.

Eram dias de sol, temperaturas baixas e muita chuva, o que foi bom para as vinhas.

Eu não sei se vocês sabem, mas aqui na Borgonha é proibido irrigar as parcelas de vinhas. Por isso, uma primavera chuvosa é um bom sinal para que as videiras retenham água para o verão, que costuma ser seco.


☕🍷 Verão europeu e na Borgonha

Agora vamos voltar no tempo.

A Europa, tirando Itália, Espanha e Grécia, normalmente não costuma ter verões quentes com temperaturas de 30 graus. Eu tenho amigos europeus que me dizem: quando eu era criança e adolescente, era raríssimo ter algum verão com 30 graus.

Por isso que nós, brasileiros, somos o povo do “país do sol”, não somente porque faz sol o ano todo, mas pelas altas temperaturas de 30 graus que conhecemos bem.

Logo, a agricultura daqui é diferente, as casas são construídas para o inverno e não são adaptadas às temperaturas altas. E os vinhos refletem esse verão ameno.

Só que, como todos sabem, estamos sofrendo alterações climáticas e o mundo está superaquecendo.


☕🍷 Verão de 2026

Antes do verão começar, tivemos, no começo de junho, um pico de 30 graus durante uma semana inteira.

Era sol e chuva. As videiras cresceram rapidamente e os produtores tiveram que correr com as equipes para cuidar de cada uma delas.

Depois dessa semana, a temperatura baixou e tivemos frio. Sim, frio.

As máximas eram de 15, 18 graus e, à noite, fazia 10 graus!!!

Por três semanas, passamos por esse clima estranho e, de repente: um sol para cada pessoa!


☕🍷 Borgonha a 40 graus: cidade maravilha do purgatório da beleza e do caos

Não foi fácil viver 16 dias de temperaturas entre 37 e 42 graus e noites que não eram frescas.

A gente ainda tem ventilador, vaporizadores, ar-condicionado (quando a lei do prédio permite), mas e as vinhas?

Os produtores tiveram que se adaptar rapidamente e aprender novas técnicas ao longo dos anos.

Antes, a gente removia bastante folhas para deixar o sol penetrar onde os cachos da uva ficam pendentes, rente ao solo. Hoje, deixamos mais folhas para fazer sombra.

Lembrem-se: tudo em excesso é ruim.

Repararam que eu falei que os cachos estão rente ao solo? Foi um certo exagero, mas eles estão bem baixos e as videiras também são baixinhas.

Isso porque a diferença de temperatura entre o dia e a noite na Borgonha (amplitude térmica) é bem grande. Mas, nesses 16 dias, ela não foi tão grande assim… então as uvas estão amadurecendo a passos largos.

Depois dessa onda de calor absurda, o calor foi embora. Outro exagero meu.

A temperatura baixou para máximas de 30 graus e todos já acharam bem mais fresco. À noite, a temperatura baixava para 18, 17 graus. Ufa!

E pensar que dias de 30 graus eram raros na Europa…

Mas tudo o que é bom dura pouco e estamos sofrendo mais uma onda de calor que pode durar 10 dias.

Agora mesmo, eu estou escrevendo e está 35 graus.


☕🍷 O que isso implica?

Primeiro, na data da colheita: normalmente, entre meados de setembro ou começo de setembro em anos quentes, vamos começar a colheita a partir do dia 12 de agosto.

Um recorde!!!

Onde eu trabalho, talvez vamos começar no dia 20, mas o produtor ainda vai confirmar no fim de julho.

Ah, eu trabalho no Domaine des Croix na época da colheita. O meu posto é na mesa de triagem das uvas. 😉

Mesa de triagem 5 de setembro de 2025 – arquivo pessoal

Segundo, implica e muito no estilo do vinho, sua capacidade de guarda, sua acidez, seu teor alcoólico máximo permitido na região… É preocupante.


☕🍷 Vou manter vocês informados

Este foi mais um boletim do que uma conversa, e eu manterei vocês informados.

E não esqueçam: me acompanhem pelo meu Instagram na época da colheita para assistirem aos detalhes dessa semana tão intensa. Eu postarei nos stories.

Muito obrigada pelo tempo e pela leitura.

Boa semana e beijinhos!!

Ju

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Olá, meus queridos leitores!
Meu nome é Juliana Lins Cruz e sou a fundadora da Vem Pra Borgonha, uma empresa de consultoria, marketing e enoturismo na região da Borgonha.

Como uma apaixonada por vinhos e com uma formação sólida em turismo, tenho a honra de participar ativamente da produção de vinhos na Borgonha e compartilhar minha paixão por esta região incrível com vocês.

Além disso, como parte do departamento de marketing da Anima Vinum, tenho ainda mais conhecimento e experiência para oferecer aos meus clientes.

Meu objetivo é apresentar a magia dos vinhos da Borgonha de maneira clara e acessível, para que vocês possam experimentar essa paixão conosco.

Eu espero ter a oportunidade de recebê-los na Borgonha e compartilhar essa experiência única com vocês.

Agradeço por estarem aqui comigo e espero ver vocês em breve!

Com carinho, Juliana Lins Cruz.

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