VEM PRA BORGONHA

por Juliana Lins Cruz

VEM PRA BORGONHA
Por Juliana Lins Cruz

☕🍷 18.26 Guia Michelin Grapes

Bom dia, queridos amigos degustadores de ☕🍷 Café & Borgonha!!!

Eu esperei algumas semanas para escrever sobre este assunto, porque fiquei pensando, analisando, escutando os outros e escutando a repercussão para poder avaliar, com os meus olhos, a utilidade deste Guia Michelin Grapes, que analisa Domaines (vinícolas) que foi anunciado no ano passado e agora, em julho de 2026, lançado inicialmente com vinhos da Borgonha.

Imagem tirada da internet, não sei de onde.

Espero que você esteja sentado confortavelmente e com uma xícara bem quente, pois este post vai terminar depois que o café esfriar (quem captou a referência? Quem não captou, eu já recomendo: leiam o livro Antes Que o Café Esfrie. Um livro realmente delicado, sutil e tocante!).


☕🍷 Nem sei por onde começar!

Vou tentar organizar a minha linha de raciocínio. Quem fez passeios comigo sabe que eu sou bem didática.


☕🍷 Por que existe o Guia Michelin?

Ele foi criado no começo do século XX para os donos de carros usarem mais os pneus e, para isso, passou a indicar restaurantes perto das principais estradas e com isso as avaliações foram um passo natural. Aliás, há dois anos eu fiz essa estrada e fui almoçar em um restaurante 3 estrelas Michelin super famoso (eu fiquei sabendo da reputação dele naquele dia, rsss). E foi nessa estrada que tudo começou.

E, ao analisar os restaurantes, o que hoje o Guia quer? Motivar que as pessoas viajem para frequentar os restaurantes. O mesmo acontece com os hotéis: querem que as pessoas se locomovam e se hospedem neles.

Tudo às claras, vamos continuar.


☕🍷 O anúncio em 2025

Comentava que eles iriam lançar esse guia começando pela Borgonha e iriam analisar cinco itens essenciais para classificar os Domaines de 1 até 3 estrelas, igual aos restaurantes e ao Guia de Hotéis Michelin. Depois, seguiriam para Bordeaux e demais regiões.


☕🍷 Os cinco critérios de avaliação

São super bem pensados e inteligentes para se avaliar não o vinho, mas a vinícola, o Domaine como um todo. São eles:

  • Qualidade da Agronomia/Viticultura: avalia a saúde do solo, o cuidado com as videiras, a biodiversidade e as práticas sustentáveis no vinhedo.

  • Domínio Técnico: mede a precisão, a pureza e a habilidade de vinificação que refletem com exatidão a uva e o terroir.

  • Identidade: analisa a autenticidade, a herança cultural e a voz estilística distinta da propriedade.

  • Equilíbrio: avalia o vinho em si, a sua harmonia entre elementos como acidez, taninos, álcool, doçura e madeira.

  • Consistência: verifica a estabilidade da qualidade ao longo de diferentes safras, mesmo em anos com climas difíceis.

São ótimos critérios, não?

Agora vamos colocar esses critérios dentro da perspectiva da Borgonha, já que foi a região analisada.


☕🍷 Mais de quatro mil produtores

Entre Domaines, maisons de négoce e caves cooperativas. Como cada uma delas foi analisada em um ano? Deu tempo de analisar todas? Não, não deu, é claro.

Teriam que quatro pessoas analisar 16 vinícolas por dia (de segunda a sexta-feira) para conseguir analisar quase a totalidade dos produtores da Borgonha.

Mas… lembram dos cinco critérios?


☕🍷 Os cinco critérios de avaliação… como avaliar tudo?

O Guia não analisa o vinho, mas sim o Domaine. Por isso, analisa a conduta da agricultura, da vinificação, a identidade, a consistência e a qualidade dos vinhos.

Como analisar a conduta da vinha durante um ciclo inteiro em apenas algumas horas de uma visita? Cadê as amostras de solo? Os avaliadores estavam presentes durante todo o processo de vinificação? Todos eles são experts em Borgonha para entender o que é a identidade local, com todas as suas nuances por sub-região e vilarejos, para poder avaliar? Todos eles têm um histórico dos últimos 15 anos para entender se a vinícola teve consistência e estabilidade nas diferentes safras?

Esse é o meu ponto principal. A proposta dos critérios é ótima, mas leva-se mais do que um ano para poder avaliar como se propuseram.


☕🍷 Então, de onde saíram essas avaliações tão rápidas?

Dizem, DIZEM, que foram notas de avaliações de revistas especializadas em vinhos que foram simplesmente reaproveitadas.


☕🍷 Meu outro ponto: interação consumidor

As vinícolas que ganharam estrelas ou menções não recebem visitantes.

O propósito do Guia Michelin é a interação do consumidor com o estabelecimento, gerando, assim, o comércio.

Se for somente para motivar a venda de vinhos, o Michelin não precisaria avaliar vinícolas, mas sim VINHOS, como fazem os críticos de revistas como Decanter, Wine Spectator, entre outras.


☕🍷 Outro ponto: divulgação

Eu escutei um produtor de vinhos aqui da Côte d’Or, inocentemente, falar: “O Guia Michelin vai trazer divulgação para os vinhos da Borgonha.”

Eu rapidamente, num reflexo, respondi:

“Os produtores da Côte d’Or não precisam de divulgação, vocês nem têm vinhos para vender.”

E é verdade.

Quem precisa de divulgação na Borgonha é o pessoal lá do Mâconnais, e olhe lá.

Aliás, as demais regiões produtoras de vinhos, exceto Champagne, os grandes de Bordeaux e o norte do Rhône, precisam de muita divulgação e premiações.

Há bons produtores, com um bom trabalho, bons vinhos, e são desconhecidos do grande público. E eles aceitam, querem visitas das pessoas e possuem vinhos para vender diretamente.

Para eles, sim, este tipo de premiação valeria, e muito.


☕🍷 Minha opinião

Minha opinião nada popular.

De público, de consumidora e de profissional.

A ideia é genial, só que a execução é fraca e falha.

Os Domaines premiados e outros em menção honrosa já são estabelecidos não possuem vinhos para vender e não precisam de divulgação.

E, sinceramente, eu acho que foi o Guia Michelin que se beneficiou mais do que a Borgonha em si. Porque não mudou nada na vida do produtor borgonhês, mas, na primeira edição do Guia Michelin Grapes, mudou, e muito, para o Guia porque houve um burburinho mundial falando deste guia avaliando os grandes da Borgonha e mostrando fotos do dia da premiação.

Aí está o verdadeiro pulo do gato. Quem se serviu de quem.

Eu sei que a minha forma de analisar não é popular e pode não agradar a muitos, mas escutei, li e pensei nesses últimos tempos e, quanto mais eu vejo, mais eu tenho essas impressões. Eu posso estar errada, mas no momento eu analiso friamente desta forma.

O que seria bom era um Guia Michelin das outras regiões, realmente bem analisado, feito com calma ou com critérios mais realistas.


☕🍷 Obrigada!

Bom, muitíssimo obrigada por lerem mais um ☕🍷 Café & Borgonha!!

Em breve eu sairei de férias e volto para a colheita, então o tempo vai voar!!

Abraços a todos e fiquem bem!!

Juliana.

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Olá, meus queridos leitores!
Meu nome é Juliana Lins Cruz e sou a fundadora da Vem Pra Borgonha, uma empresa de consultoria, marketing e enoturismo na região da Borgonha.

Como uma apaixonada por vinhos e com uma formação sólida em turismo, tenho a honra de participar ativamente da produção de vinhos na Borgonha e compartilhar minha paixão por esta região incrível com vocês.

Além disso, como parte do departamento de marketing da Anima Vinum, tenho ainda mais conhecimento e experiência para oferecer aos meus clientes.

Meu objetivo é apresentar a magia dos vinhos da Borgonha de maneira clara e acessível, para que vocês possam experimentar essa paixão conosco.

Eu espero ter a oportunidade de recebê-los na Borgonha e compartilhar essa experiência única com vocês.

Agradeço por estarem aqui comigo e espero ver vocês em breve!

Com carinho, Juliana Lins Cruz.

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