VEM PRA BORGONHA

por Juliana Lins Cruz

VEM PRA BORGONHA
Por Juliana Lins Cruz

☕🍷 15.26 Por que os vinhos da Borgonha são tão mais caros que os demais?

Bom dia, meus queridos leitores do ☕🍷 Café & Borgonha!

Eu adoro meu trabalho de acompanhar grupos na Borgonha e explicar os detalhes dos vinhos da Borgonha. E algumas dúvidas são mais recorrentes, como: como fazer para visitar e degustar no Domaine de la Romanée-Conti?; tem vinho em taça do Domaine de la Romanée-Conti?; e a famosa pergunta: por que os vinhos da Borgonha são tão caros?

É uma pergunta válida, e eu vou responder por aqui, apesar de já ter escrito um pouco sobre o assunto em outras edições e no meu blog. Sim, eu tenho um blog! Ele é mais voltado para o turismo, mas, de vez em quando, eu dou uma pincelada sobre os vinhos.

Se quiserem acessar para ler sobre conselhos em enoturismo na Borgonha, este é o link: www.vempraborgonha.com.br/blog

Bom, peguem a sua xícara de café e boa leitura!


☕🍷 Escolhas: vinhos do mundo

Hoje em dia, no mundo do vinho, o que não faltam são escolhas. Vinhos da América Latina, Estados Unidos, Hungria, Geórgia, os clássicos como Itália, Espanha, França, Portugal e os audaciosos da África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Japão, China, entre outros.

Em todos os continentes há a presença de videiras especificamente destinadas à produção de vinhos.

Com estudos e disseminação de informações e técnicas, até países tropicais que são menos favoráveis à produção de vinhos, como o Brasil, que ainda é desconhecido do público geral mundial pela produção de vinhos, conseguem produzir milhares de garrafas.

Logo, hoje a concorrência é maior e, honestamente: existe vinho de boa qualidade produzido em todos os países.

Então, por que pagar caro em uma garrafa de Borgonha?


☕🍷 Por que pagar caro em um vinho da Borgonha?

Hoje, o vinho da Borgonha se tornou um artigo de luxo bem falado e com presença garantida nos melhores restaurantes, wine bars, festas e reuniões pelo mundo.

Essa fama foi moldada ao longo dos anos: passado histórico de monges, reis e rainhas que preferiam os vinhos da Borgonha, vinhos de terroir, vinhos voltados para a qualidade e, logo, produzidos em menor quantidade, e, sobretudo, a alta dos preços nos últimos 20 anos.

Arquivo pessoal

Logo, há três tipos de consumidores que com frequência pagam caro em uma garrafa de vinho da Borgonha:

  • Os que somente consomem artigos caros ou raros no seu dia a dia. E está tudo bem, porque a vida dessas pessoas é deste jeito. Elas vivem em outro patamar;

  • Os que preferem, em seu dia a dia, produtos voltados para a qualidade e não necessariamente compram muito. Em geral, são pessoas que escolhem roupas de bom corte e de bons tecidos, compram produtos orgânicos ou de mais alta qualidade para cozinhar, e assim por diante;

  • E os novos conhecedores de vinhos, que ouviram falar e querem provar para descobrir o porquê de todo esse alvoroço e, às vezes, querem aprender e entender sobre os vinhos.

Esses três grupos estão dispostos a pagar com frequência caro em uma garrafa de vinho, mesmo que sejam quantidades diferentes: uma garrafa por ano ou 50.


☕🍷 Mas por que a diferença de preço?

Muitos dos meus clientes que compram vinhos da Borgonha perguntam:

“Eu tenho acesso a excelentes vinhos portugueses que custam uma pequena fração dos vinhos da Borgonha. Por que essa enorme diferença?”

Somente o custo de produção de um vinho francês é sete vezes maior que o custo de produção de um vinho português.

Os encargos, taxas e impostos a pagar são maiores e mais numerosos na França. Além disso, o custo de materiais e mão de obra também é mais elevado.

Logo, o vinho francês é mais caro para ser produzido do que o português.


☕🍷 Borgonha: voltada para a qualidade

Essa foi uma escolha audaciosa: com qualquer produto ou serviço voltado para a qualidade, a quantidade cai.

Para garantir uma boa qualidade nos vinhos da Borgonha, a uva precisa ter concentração e, para isso, menos cachos de uvas são necessários e, logo, há menos volume.

Foi uma escolha difícil, principalmente no pós-guerra, quando a França estava falida.

Essa geração pós-guerra foi inventiva e corajosa, e a maior parte do seu sucesso foi colhida somente pela geração seguinte.


☕🍷 Custo de materiais de produção

Além das taxas e impostos mais altos na França, o custo de materiais, maquinários e barris de alta qualidade é maior no país. Um barril novo, que é muito comum de ser utilizado a cada colheita em proporções diferentes, custa aproximadamente 900 euros. Um trator novo para usar em tratamento nas vinhas custa aproximadamente em 200 mil euros. São cifras bem altas.

Muitas outras regiões francesas, europeias e mesmo da América Latina, que não possuem o mesmo poder de compra de materiais de ponta, os compram de segunda mão da Borgonha por valores muitas vezes 70% mais baratos.

E na Borgonha temos muito trabalho manual ao invés de trabalho mecânico, o que aumenta o custo final.


☕🍷 Custo da escolha de agricultura

Vinho orgânico e vinho biodinâmico são comuns na Borgonha, apesar do desafio climático da região.

Esse tipo de agricultura é mais caro e, caso o produtor queira ter o selo de agricultura orgânica ou biodinâmica, ele precisa pagar uma anuidade depois de passar pelas intensas exigências do governo francês.


☕🍷 Borgonha: mercado em alta

O mercado internacional descobriu os vinhos da Borgonha, mas também fez seus preços inflacionarem nos últimos 20 anos.

O que ajudou foi a estabilidade econômica mundial, pois muita gente enriqueceu e pôde se dar ao luxo de provar os vinhos da Borgonha.

Ou seja, a demanda aumentou, mas a oferta continuou a mesma.

O volume de produção de vinhos da Borgonha representa aproximadamente apenas 0,5% da produção nacional francesa.

Novos mercados como a Ásia, Oceania e as Américas chegaram com poder de compra e sede por esses vinhos.

Muitos desses clientes são excelentes degustadores e muito bem informados.

Um mangá japonês fez muito sucesso no começo dos anos 2010, Gotas de Deus, e os vinhos da Borgonha explodiram no mercado japonês.


☕🍷 Estados Unidos: leilões

Os famosos leilões de vinhos nos Estados Unidos, principalmente dos melhores produtores, fizeram o valor dos vinhos subir absurdamente.

Foi como uma grande onda que quebrou em cima do mercado tradicional.

Eu conheço clientes que, há 20 anos, compraram vinhos do Grand Cru Romanée-Conti por 120 dólares.

Hoje, além de não encontrarem com tanta facilidade, o valor fica na casa de quatro ou cinco dígitos, dependendo do lugar onde você compra.


☕🍷 Popularidade

A popularidade dos vinhos da Borgonha como artigo de luxo e símbolo de qualidade é enorme.

Eu costumo assistir a alguns filmes e séries japoneses e coreanos e sempre que aparece um personagem milionário ou poderoso, eles mostram artigos de luxo para ilustrar sua vida: carros de luxo, relógios, mansões, motoristas, seguranças particulares e vinhos da Borgonha. Sempre.

Às vezes, eles mostram até detalhes curiosos.

Outro dia, eu vi uma cena de um dorama (novela coreana) famoso em que o vilão prepara um jantar especial para sua amada (ele a sequestrou… drama, drama, drama) e, em sua adega privada, ele escolhe o vinho predileto da moça: uma garrafa do Domaine Cheurlin-Noëllat Maxime, localizado em Vosne-Romanée. Foi engraçado de ver a garrafa no dorama e esses pequenos indícios somente atestam a notoriedade da Borgonha.


☕🍷 Reviravolta

Logo, custos altos, baixa produção, alta qualidade, forte demanda e popularidade em alta por muitos anos resultam em cifras elevadas para o consumidor final.

Esses valores estão estacionados nos últimos dois anos, porque o consumidor não é bobo. Tudo tem um limite.

E o consumidor disse basta. A crise econômica é real e presente e todos estão fazendo alterações.

Chefs sommeliers, donos de lojas de vinhos e restaurantes, além de importadores, passaram a comprar menos e a trocar de região vinícola. Como eu disse no começo, há vinhos bons em todas as regiões.

E, finalmente, o produtor que achava que sempre poderia aumentar o valor de venda de seus vinhos sentiu a reação do mercado.

E algo incrível está acontecendo: o produtor está voltando a receber clientes em suas vinícolas e está entrando em contato com compradores pedindo para vender seus vinhos, coisa que não acontecia. Quando tínhamos a sorte de receber uma resposta, ela era: não temos vinhos.

É… as coisas estão mudando aos poucos.


☕🍷 Até a próxima

O verão europeu chegou e, com ele, as férias, mas eu não esqueci de vocês!

Tudo está programado para continuarmos as nossas conversas depois dessa pausa de um mês.

Eu agradeço muito a atenção de vocês todos e até semana que vem!!

Juliana

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Olá, meus queridos leitores!
Meu nome é Juliana Lins Cruz e sou a fundadora da Vem Pra Borgonha, uma empresa de consultoria, marketing e enoturismo na região da Borgonha.

Como uma apaixonada por vinhos e com uma formação sólida em turismo, tenho a honra de participar ativamente da produção de vinhos na Borgonha e compartilhar minha paixão por esta região incrível com vocês.

Além disso, como parte do departamento de marketing da Anima Vinum, tenho ainda mais conhecimento e experiência para oferecer aos meus clientes.

Meu objetivo é apresentar a magia dos vinhos da Borgonha de maneira clara e acessível, para que vocês possam experimentar essa paixão conosco.

Eu espero ter a oportunidade de recebê-los na Borgonha e compartilhar essa experiência única com vocês.

Agradeço por estarem aqui comigo e espero ver vocês em breve!

Com carinho, Juliana Lins Cruz.

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