VEM PRA BORGONHA

por Juliana Lins Cruz

VEM PRA BORGONHA
Por Juliana Lins Cruz

☕🍷12.26 Resumo das denominações da Côte de Nuits

Bom dia meus queridos bebedores de ☕🍷 café & Borgonha!

Vocês pediram e eu tenho atendido. E desta vez eu vou além para facilitar a vida de vocês.

Muitos pediram as características gerais das denominações de vinhos da Borgonha e eu tenho explicado aos poucos. Hoje eu vou listar todas as características das denominações villages da Côte de Nuits.

Mas (sempre tem um “mas”), existe “estilo do produtor(a)”, que conta e muito numa degustação e eu vou exclui-lo da nossa analise, somente para facilitar a vida. Com mais experiência em vinhos da Borgonha, vocês irão perceber como o estilo do produtor(a) valoriza o terroir ou, às vezes, se sobrepõe a ele.

Prontos?! Taças de café à mão a vamos lá!


☕🍷 Marsannay

Marsannay é um vilarejo logo no começo da Côte de Nuits, bem próximo a Dijon. Seus vinhos não possuem uma grande reputação, comparados com os vizinhos próximos de Gevrey-Chambertin, Vosne-Romanée, por exemplo. Podemos explicar essa falta de reputação pelo fato de que até o presente momento não há parcelas de vinhas classificadas em Premier Cru e Grand Cru. Querendo ou não a classificação ajuda na reputação dos vinhos do vilarejo. E também produtores renomados que valorizam a denominação.

Mas isso está mudando. Alguns produtores de vinhos deste vilarejo montaram um dossiê, pedindo que algumas parcelas específicas sejam reclassificadas de Village para Premier Cru.

Este dossiê é super bem informado e bem baseado justificando o porquê certos Climats determinados por esses produtores, devem ser reclassificados.

Dois deles eu creio que serão o Climat Clos du Roy e a Longeroies. Os vinhos Villages Marsannay desses dois Climats são complexos, concentrados e possuem um bom potencial de envelhecimento. Os vinhos tintos costumam ter aromas de frutas vermelhas (morango, cereja), de rosas e hortelã e em boca sentimos uma certa rusticidade e um boa acidez que nos desperta. Os brancos impressionam pela agradável mineralidade e cremosidade, uma combinação perfeita! E na região se produz bastante vinho rosé, mas um rosé mais complexo, com uma cor mais intensa e muito aromático. Como dizemos por aqui, um rosé “vinoso”, porque ele puxa mais para o vinho tinto, do que o vinho rosé fraquinho.

Os produtores de grande reputação de Marsannay são alguns, mas eu destaco dois: Sylvain Pataille e Jean Fournier.


☕🍷 Fixan

Descendo ao sul, chegamos em Fixan, que fica entre Marsannay e Gevrey-Chambertin.

É um vilarejo que produz vinhos da Borgonha de classificação Bourgogne Regionale, Village (Fixan) e Fixan Premier Cru.

E eu vou confessar, Fixan seria como o Uruguai. Ninguém dá muita bola, pouca gente conhece, mas a qualidade é incontestável! Os vinhos de Fixan são excelentes! Possuem complexidade, concentração de fruta, densidade, taninos super lapidados, são extremamente aromáticos puxando mais para frutas vermelhas e algumas especiarias. Não são tão potentes quanto Gevrey-Chambertin, mas não deixam nada a desejar. São mais potentes e profundos que Marsannay, com aromas mais intensos e um vinho mais sério do que Marsannay.

São vinhos que todo mundo que prova, gosta. E o melhor, são mais baratos que os vizinhos Gevrey-Chambertin, Nuits-Saint-Georges, Morey-Saint-Denis e Chambolle-Musigny.

Um excelente produtor de Fixan, que eu sou fã de carteirinha é o Domaine Berthaut-Gerbet.

Foto arquivo pessoal

☕🍷 Gevrey-Chambertin

Gevrey-Chambertin é um vilarejo da Côte de Nuits onde se produzem exclusivamente vinhos tintos de Pinot Noir, nas categorias Regional, Village, Premier Cru e 9 Grands Crus, sendo o mais importante o Chambertin. É um dos vilarejos com maior concentração de Grands Crus da Borgonha e tem reputação histórica consolidada desde antes de Napoleão Bonaparte.

Em termos gerais os vinhos de Gevrey são grandiosos, amplos, profundos e estruturados. Têm densidade, presença e uma força que se impõe no paladar. Os vinhos possuem notas terrosas, especiarias e, muitas vezes, um toque levemente animal. A estrutura dos taninos é firme e os vinhos têm potência e capacidade de guarda. É um vinho “largo”.

Dependendo da localização das parcelas possui um micro perfil diferente: mais frescos e finos e mais opulentos e densos. Tudo por causa de um vale chamado La Combe Lavaux. O vale funciona como corredor de vento frio, aumentando a amplitude térmica e retardando a maturação das uvas. De um lado do vale os Premiers Crus e Villages têm essa característica mais frutada, fresca e fina; e do outro lado do vale, os vinhos Premiers Crus e Grands Crus são mais densos, com mais corpo e potência.

É em Gevrey-Chambertin que encontramos as vinicolas clássicas mais famosas, pois foram as primeiras que começaram a engarrafar o próprio vinho, como o Domaine Armand Rousseau. E foi a partir daí que a história dos vinhos da Borgonha deu uma guinada.

Sem dúvida nenhuma, o Domaine que eu mais gosto em Gevrey-Chambertin, e olha que são varios e difíceis de escolher, e o Domaine Sylvie Esmonin.

Foto arquivo pessoal

☕🍷 Morey-Saint-Denis

Morey-Saint-Denis é um minúsculo vilarejo da Côte de Nuits com menos de 200 pessoas. Passar por lá é como estar num filme, onde tudo é lindo, bucólico e silencioso. Os vinhos de Morey-Saint-Denis são desse jeito.

Morey-Saint-Denis, assim como Gevrey-Chambertin, produz vinhos das categorias das denominações Regionale (Bourgogne), Village Morey-Saint-Denis, Premier-Cru e Grand Cru. Os Climats mais importantes do vilarejo são o Clos-Saint-Denis e o Clos de la Roche. O vilarejo produz vinhos tintos e um pouquinho de branco Chardonnay.

Morey-Saint-Denis faz parte das denominações mais reputadas de vinhos tintos da Borgonha, com sua marca esculpida na elegância, estrutura, taninos presentes e bem maleáveis e possuem um grande potencial de guarda, além de serem vinhos para serem consumidos depois de um certo envelhecimento em garrafa, mesmo os Bourgognes e Villages. Um Village, generalizando, eu diria para ser consumido com no mínimo 5 anos depois da safra. Premier Cru e Grand Cru, bem mais.

O vinho é profundo, terroso, denso, a textura é bem lisa e macia, porém densa, lembrando a textura de uma boa ganache de chocolate. É um vinho que precisa de mais tempo para ser apreciado, principalmente os Premiers Crus. São vinhos sérios e que por muitas vezes os apaixonados por vinhos esquecem dele e focam apenas nos vinhos sedutores de Vosne-Romanée, na grandiosidade de Gevrey-Chambertin, na potência de Nuits-Saint-Georges e esquecem da denominação de Morey-Saint-Denis e seu lado misterioso, limite sério.

Um Domaine que se destaca no vilarejo com certeza é o Domaine Dujac.

Foto arquivo pessoal

☕🍷 Chambolle-Musigny

Chambolle-Musigny é praticamente o oposto de Morey-Saint-Denis. Aqui os vinhos são mais delicados, com textura sedosa e grande finesse. Os aromas costumam ir em direção às frutas vermelhas frescas, como cereja e framboesa, acompanhadas de notas florais, especialmente violeta e rosa. Em boca, são vinhos mais aéreos, elegantes e finos, com taninos muito polidos e uma sensação de leveza que é uma das assinaturas do vilarejo.

O vilarejo produz principalmente tintos de Pinot Noir e uma pequena quantidade de brancos de Chardonnay. Além de produzir vinhos das denominações Regionale, Village, Premier Cru e Grand Cru.

Uma característica importante do terroir de Chambolle-Musigny é a presença do vale, da Combe de Chambolle, um pequeno vale que desce do planalto em direção aos vinhedos. Essa abertura permite a circulação de ar fresco e traz uma influência mais fria para parte das parcelas, contribuindo para vinhos mais frescos, perfumados e de grande precisão aromática. Mas não ache que os vinhos são sem estrutura e levinhos, pelo contrário. A estrutura é bem presente, mas com muita elegância.

Entre os produtores mais respeitados do vilarejo está o Domaine Georges Roumier, conhecido por produzir alguns dos vinhos mais elegantes e profundos de Chambolle-Musigny, incluindo parcelas nos Grands Crus Musigny e Bonnes-Mares.

Foto arquivo pessoal

☕🍷 Vougeot

Vougeot é um vilarejo pequeno, mas muito conhecido na Côte de Nuits por abrigar um dos vinhedos mais famosos da Borgonha, o Grand Cru Clos de Vougeot. Os vinhos do vilarejo costumam ter mais estrutura e potência que os de Chambolle-Musigny, mas ainda mantêm a elegância típica da região.

Produzidos principalmente com Pinot Noir, os tintos apresentam aromas de cereja preta, ameixa e frutas vermelhas maduras e de notas de especiarias, terra, um leve toque de aroma de floresta molhada e cogumelo com a evolução. Em boca, costumam ser vinhos mais estruturados, com taninos presentes e bom potencial de guarda.

O Climat mais importante é o histórico Clos de Vougeot, um imenso vinhedo de 50 hectares totalmente murado que pertence a 66 produtores diferentes.

Entre os produtores muito respeitados que trabalham vinhedos em Vougeot está o Domaine Méo-Camuzet.

Foto retirada do site www.infinities-wines.com

☕🍷 Vosne-Romanée

Se fosse para eu escolher uma única vila produtora de vinhos da Borgonha para eu beber vinhos até o fim da minha vida, eu escolheria de olhos fechados os vinhos de Vosne-Romanée.

Em geral os vinhos são extremamente complexos, elegantes, finos, com uma textura finamente aveludada e são bem persistentes. Seus aromas são bem frutados de frutas vermelhas, podendo ter notas mentoladas e de rosas. São vinhos que seduzem tanto no nariz quanto na boca e possuem a melhor reputação da Borgonha, sendo os mais elegantes.

A potência de um Vosne-Romanée anda lado a lado com a sua elegância, ele tem corpo, energia, álcool, taninos bem integrados extremamente maleáveis que nem percebemos.

Neste vilarejo são produzidos vinhos das 4 categorias de apelações: Regionais Bourgogne Pinot Noir, Village Vosne-Romanée, Premier Cru Vosne-Romanée e Grand Cru, com os famosos Climats de Romanée-Conti e La Tâche. E sem dúvida nenhuma o produtor mais reconhecido é o Domaine de La Romanée Conti.

Foto arquivo pessoal

☕🍷 Nuits-Saint-Georges

Os vinhos de Nuits-Saint-Georges costumam ser os mais estruturados e robustos da Côte de Nuits. Ao compararmos aos vinhos delicados de Chambolle-Musigny ou ao sedutor de Vosne-Romanée, os vinhos daqui mostram um caráter mais firme, profundo e terroso, mais elvado que os vinhos de Morey-Saint-Denis e Gevrey-Chambertin. Nuits-Saint-Georges é uma potência mais bruta, enquanto Morey e Gevrey possuem mais classe.

Produzidos principalmente com Pinot Noir, apresentam aromas de frutas negras e vermelhas maduras, como cereja escura e ameixa, frequentemente acompanhadas de notas de especiarias, alcaçuz e terra úmida.

Em boca, são vinhos com mais estrutura e taninos mais presentes e com o tempo na garrafa, esses taninos se refinam e revelam vinhos de grande complexidade e profundidade.

O vilarejo produz vinhos nas categorias Bourgogne, Village e Premier Cru. Nuits-Saint-Georges não tem Grand Cru.

Uma curiosidade: os terroirs do sul do vilarejo costumam produzir vinhos mais potentes e estruturados, enquanto os vinhedos ao norte, próximos de Vosne-Romanée, tendem a produzir vinhos um pouco mais elegantes e refinados.

Entre os produtores mais clássicos está o Domaine Henri Gouges.

Foto arquivo pessoal

☕🍷 Côte de Nuits-Villages

A denominação Côte de Nuits-Villages reúne vinhos produzidos em alguns pequenos vilarejos dispersos situados na parte norte e sul da Côte de Nuits. Entre eles são : Fixin, Brochon, Comblanchien, Corgoloin e Premeaux-Prissey. Não precisa saber esses nomes, somente que a denominação é produzida a partir de vilarejos espalhados pela Cote de Nuits.

Os vinhos são produzidos principalmente da Pinot Noir e são uma excelente porta de entrada para o estilo da Côte de Nuits, sendo uma excelente relação qualidade-preço

Em geral, são vinhos que apresentam aromas de frutas vermelhas frescas, como cereja e framboesa, acompanhadas de notas florais e leves toques de especiarias. Em boca, são frescos, mais fáceis de beber e prontos para serem degustados mais jovens do que os seus vizinhos famosos.

Algumas parcelas também produzem vinho branco com Chardonnay, mas a grande maioria da produção é tinta.

E quando produzidos com atenção, podem oferecer vinhos muito equilibrados, elegantes e gastronômicos, mais profundos e complexos. Como é o caso deste vinho produzido pelo Domaine Camille Thiriet.

Foto arquivo pessoal

✏️ Até Breve

Bom pessoal, este foi um resumo das características gerais dos vinhos por vilarejo da Côte de Nuits. Tudo é muito mais detalhado do que eu apresentei hoje, principalmente quando o estilo do produtor(a) entra em jogo. Mas esta é uma boa base para vocês se orientarem.

Espero que tenham gostado!

Aliás, vocês gostariam que eu escrevesse um livro sobre vinhos da Borgonha? Eu sempre hesito em avançar com esta ideia, achando que ninguém iria comprar. O que vocês acham?

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Olá, meus queridos leitores!
Meu nome é Juliana Lins Cruz e sou a fundadora da Vem Pra Borgonha, uma empresa de consultoria, marketing e enoturismo na região da Borgonha.

Como uma apaixonada por vinhos e com uma formação sólida em turismo, tenho a honra de participar ativamente da produção de vinhos na Borgonha e compartilhar minha paixão por esta região incrível com vocês.

Além disso, como parte do departamento de marketing da Anima Vinum, tenho ainda mais conhecimento e experiência para oferecer aos meus clientes.

Meu objetivo é apresentar a magia dos vinhos da Borgonha de maneira clara e acessível, para que vocês possam experimentar essa paixão conosco.

Eu espero ter a oportunidade de recebê-los na Borgonha e compartilhar essa experiência única com vocês.

Agradeço por estarem aqui comigo e espero ver vocês em breve!

Com carinho, Juliana Lins Cruz.

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